Nada

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terça-feira, 11 de outubro de 2011

O mundo em conta gotas

O mundo em conta gotas


A moeda me move, por mais que tenha apreendido nos movimentos de esquerda que não deveria ser assim.
Para sair ou chegar em casa preciso pagar de alguma forma, mesmo que o meu pagamento seja em esgotamento físico, ou que alguém paguem para mim oferecendo-me carona.
Ao acordar, ao arrumar a cama, ao limpar a poeira ao fazer a higienização bucal pago pago por tudo. Cada um ao seu jeito. Ao tomar o café da manhã, principalmente se quero algo de melhor qualidade ou gosto, pago um pouco mais. Se prefiro ler revista, livro ou jornal tenho que pagar pelas letras que me alimentam.
Outro dia um taxista dizia-me que amizade não tem preço. Eu imediatamente emendei: estamos falando em reais, ouro, dólar ou euro? Ele imediatamente deu uma sonora gargalhada e disse: - É! Não precisou dizer mais nada. Aquela exclamação já dizia que se o valor fosse significativo o tal amigo não o veria nunca mais.
Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que o dinheiro não tem valor. Se um amigo ganha na loteria, muda de casa, de trabalho e até mesmo de cidade, foi-se a amizade próxima. Esfria, fica distante e aos poucos perde-se.
Sou burguês e gosto de vinho bons, de bons livros, boa música e tudo isso tem um preço que quero pagar para ter o privilégio de ter ou ouvir o que pretendo. Ou se eu deixar que alguém pague corro o risco de ouvir axé e até mesmo o breganejo. Ter dinheiro é poder escolher, ter liberdade. Quero pagar para consumir, não vou ser hipócrita a ponto de dizer que essas coisas não tem valor na minha vida.
Não nego com essa observação que os valores humanos não tenha importância, claro. Não sou do tipo que aluga o pai ou vende a mãe, mas não posso ignorar que o que sempre moveu o mundo é o dinheiro. Mesmo quando havia escambo como muitos gostam de vangloriar. O Escambo é uma forma de valorar, mesmo que a moeda não seja o principal ingrediente da negociação.
O que não pode é deixar o dinheiro determinar ás suas ações, os seus valores. Como diz Frejart “Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro,
pois é preciso
Viver também.
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez, 
quem é mesmo
o dono de quem”. Além de não deixar que o dinheiro mande em você, é necessário perceber que existe ainda um grande problema com o dinheiro: a sua distribuição.
Muito dinheiro nas mãos de poucos, o que provoca uma grande desigualdade social, uma disparidade econômica que desencadeia rupturas sociais que levam a violência, a mudança de costumes, de modo de vida e de percepção e mudança dos próprios valores, dos conceitos de bem e mal.
O Governo do presidente Lula nos mostrou que é preciso dividir o bolo, que pouco para muitos podem significar muito para muitos e estimula o desenvolvimento. Todos lucram!
O que muitas pessoas não sabem é que a economia da maioria das cidades brasileiras é movidas pelos recursos oriundos das aposentadorias, dos Benefícios de Prestação Continuada e principalmente do programa Bolsa Família que provoca a circulação econômica na cidade e faz com que todos lucrem com esses pequenos valores.
O discurso que o dinheiro não é importante nos traz o atraso econômico, nos faz aceitar as desigualdades e não provoca as pessoas a pensarem o mundo de forma igual, mesmo que em conta gotas.

Vilmar Oliveira

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